Ir ao teatro, a um concerto de música, a um show ou ao circo são experiências que desde pequenos nos fascinam. A arte não se dissocia da da nossa vida, nem da nossa história. De uma forma ou de outra ela está lá. E isso é assim desde que homem é homem…
Por isso, o Perfil de hoje traz uma entrevista muito especial. Acredito que todo mundo já se sentiu tocado por uma peça de teatro, uma música, um número de circo, um quadro e já quis pessoalmente agradecer ao artista. Mas também acredito que muita gente tem a consciência de que não deve ser fácil ser artista num país como o Brasil, que está longe de ser o exímio investidor em cultura.
Então, vamos saber de uma artista como é mesmo essa história de SER ARTISTA?
Jamaica Lyra tem 26 anos e é apaixonada pela arte. Canta, toca, encena, faz palhaçada, se sustenta num tecido, faz malabarismo, se equilibra numa corda e ainda dá aulas disso tudo para os seus “pequenos”. E pra completar é nordestina de sangue e de alma, mais precisamente cearense. Tem uma personalidade forte, é perfeccionista em tudo o que faz, exigente consigo mesma e quando começa um trabalho não sossega enquanto não vai até o final. Mas como artista tem também a sensibilidade à flor da pele e adora fazer as pessoas sorrirem.
“A arte é um caminho gostoso pelo qual podemos mostrar às pessoas o poder de transformação, antes de tudo de si mesmas e depois, através das mensagens, a possível transformação do mundo ao nosso redor.”
Jamaica, pode nos contar como surgiu o interesse pela música, pelo teatro e pela arte de circo? Houve o apoio da família?
A música está na minha vida desde antes de eu nascer. Meu pai cantava pra mim na barriga da mamãe. À medida que o tempo ía passando ele cantava conosco na sala de casa quando chegava do trabalho, nos fins-de-semana. Depois eu fui tentando tocar. Aos nove anos entrei na banda da escola onde eu estudei, depois participei também de corais, grupo vocal e fui alimentando a música dentro de mim. Cantei 3 anos no Coral das Águas (um dos maiores corais de Fortaleza que trabalha também com uma linguagem teatral).
Com o teatro e a arte do circo não foi diferente. Não sou especialista nisso, mas no mundo da arte, quanto mais “ferramentas” melhor. Trabalhei dois anos na CIA Plural de Artes Cênicas, dando aula e ajudando na coordenação de 24 peças infantis e juvenis. Encenei também algumas peças sob a Direção de Tonico Lacerda como, “O lamento dos brinquedos”, “O show da vida”, “Felicidade”…
Tenho tentado aprender o máximo possível porque quanto mais souber mais poderei ensinar ao maior número possível de pessoas.
O apoio da família sempre houve. Meu pai sempre tocou violão, mesmo se profissionalmente só na juventude. Minha mãe sempre foi uma fã da arte e hoje de uma forma especial, minha. Mas mãe é sempre suspeita não é?
E o que é mais gratificante pra você ao trabalhar com a arte?
Gratificante em trabalhar com arte é fazer com que as pessoas “quebrem” as suas próprias barreiras, seu limites, que elas descubram seu potencial, que sintam-se parte do “cosmo musical” e sejam capazes de mudando a si mesmas mudar o mundo ao seu redor.
Sabemos também que as dificuldades não faltam. Há dificuldades para conseguir emprego? Houve algum momento de desânimo em que pensou em largar tudo?
Dificuldade há em qualquer área hoje em dia, mas na arte de uma forma especial. Há ainda um grande preconceito da sociedade com relação aos artistas. Para muitos quem vive da arte deveria ir atrás de um “emprego de verdade”. O que é um absurdo.
Mas no meu caso não foi assim. Tive muita sorte. Estive nos lugares certos na hora certa. As escolas onde lecionei música me chamaram por indicação de amigos. E foi muito tranquilo. Depois das entrevistas fiquei nas duas escolas. Antes de me formar já tive a oportunidade de trabalhar mais do que tantas pessoas que já estão tentando entrar no mercado há tempos.
No teatro foi parecido. Eu já tinha encenado duas peças com o teatrólogo, escritor e professor de teatro Tonico Lacerda Cruz. Depois de algum tempo nos reencontramos e ele me convidou para trabalhar com ele em sua escola de artes cênicas com teatro e prática circense, onde o mesmo me capacitou para dar aulas de teatro e circo.
Jamaica, você se lembra de alguma experiência interessante no trabalho com as crianças, com a música, no teatro? Algo que te marcou?
Algo que me marcou foi o fato de ter conseguido ajudar uma de minhas alunas de teatro a superar o pânico de altura. Hoje ela anda no arame e faz exercícios aéreos como corda indiana e tecido.
O que diria para os jovens hoje que pensam em iniciar uma carreira nesse campo?
Não tenham medo. A arte não é um campo fácil, mas é um dos mais lindos. Por meio da arte podemos tocar o que de mais belo existe na terra : a alma humana.
Nós artistas podemos e devemos através dela levar a todos a certeza de um mundo melhor, mais bonito e cheio de Vida.
Amigos, para aqueles que querem iniciar uma carreira no campo da arte desejo não só sorte, mas também muito esforço. Procurem sempre aprimorar-se cada vez mais. Façam da vida um grande palco cênico na qual todos tem a importância do artista principal. Cada um é protagonista na construção de uma Arte Nova, capaz de transformar os corações.
Coragem! Contem comigo nesse desafio.
Obrigada Jamaica!
Gente, tive a oportunidade de vê-la correndo com os dedinhos num violão e cantando e fiquei admirada com tanto talento!
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